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O carinho do Papa Francisco que irrita muitos padres

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É uma coisa maravilhosa mas, por exemplo, também João Paulo II foi à cadeia encontrar o seu assassino Ali Agca. Mas desta vez, aposto, acontecerá que alguém da minha paróquia me perguntará porque razão, a partir do momento que o Papa foi até Calábria, porque eu não vou nem mesmo visitar a senhora Pina que habita numa casa popular, e passou todo o inverno sem aquecimento porque não se fez a reparação no sistema. Sempre em Calábria, na missa da tarde de ontem disse: “a ‘ndrangheta é isto: adoração do mal e desprezo do bem comum”, “os maviosos, não estão em comunhão com Deus, são excomungados” e a minha gente não fará comparação com João Paulo II em Agrigento, mas perguntará a mim porque nas minhas homilias sou assim tão politically corect Sempre ontem, de manhã aos padres como eu dizia que não devemos pôr “ao centro nós mesmos e assim em vez de sermos canais tornamo-nos ecrãs” e estou certo que basta me sentar no confessionário e escutar com superficialidade, alguém, seguramente, m

A Minha Família e... EU

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Podemos mudar tudo (ou quase...) mas não o dado evidente que viemos ao mundo porque outros nos quiseram. Não fui eu que decidi vir ao mundo, mesmo se disto sou muito feliz. Quem eu serei hoje, se não me fosse feito homem em diálogo com um outro que mi quis bem quando eu não podia querer-me bem sozinho?   Me bastaria o leite (mesmo em pó...) sem o afecto de uma mulher para dar bem na vida?  Estaria aqui, agora sem as noites em branco dos meus, os quilos de fralda que me trocaram, as discussões para poderem cuidar de mim? Mesmo nas histórias muito feridas, aquilo que nos dá um pouco de alegria é a memória dos momentos em que nos sentimos amados gratuitamente, de maneira “pura” por alguém.  Como me sentiria emotivamente diferente sem o nutrimento do amor estável e continuativo dos pais que tive?  Quais as consequências produziu em mim o diminuir do amor sincero, estável e leal da parte dos meus pais? Quais as sensações provei, já adulto, diante da morte dos meus pais (se is

Última hora!

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Ao fim do ano (civil) nós os cristãos olhamos para os dias transcorridos e ao tempo que nos foi dado viver com especial intensidade e atenção. Reflectindo sobre o mistério da encarnação do Verbo, São João chega a afirmar que a história é já para nós como um tempo último. Não no sentido que depois não existirão outros, mas que se trata de um tempo pleno, decisivo, onde não falta nada, porque Deus descobriu todas as cartas, nos mostrou, finalmente o seu rosto.    Meus filhos, esta é a última hora. Ouvistes dizer que há-de vir o Anticristo. Pois bem, surgiram já muitos anticristos e por isso sabemos que é a última hora. (1Jo 2,18)  Paradoxal, mas terrivelmente verdade. A confirmação de que se trata do último tempo vem do facto que a oposição a Deus revelado na carne de Jesus Cristo pode exprimir-se já em plena força. Desde dois mil anos, de facto “poderes” diferentes dos exercidos por Deus na lógica da cruz tentam influenciar e dirigir a história. Os vemos assumindo posição de

O que nos pode ensinar o Pai Natal sobre a fé?

Muitas vezes, quando somos interpelados sobre o que queremos, crendo que no entanto não se realizará ousamos pouco e pedimos coisas. Quando porém recebemos o que pedimos, lamentamos o facto de não ter sido mais audazes, porque poderíamos poder ter mais. É o que aconteceu aos passageiros dos aeroportos internacionais canadenses de Toronto e Hamilton que estavam à espera para viajarem num voo para Calgary. Um Pai Natal virtual perguntou-lhes o que queriam para o Natal, e depois de cada um ter subido para o avião, 150 empregados da companhia WestJet se transformaram em ajudantes do Pai Natal para comprar e entregar os presentes personalizados aos hóspedes que chegavam a Calgary. Os passageiros, portanto, não receberam somente a própria mala, mas também o presente que tinham pedido apenas algumas horas antes. Mesmo se tudo isso tem bem pouco a ver com o significado do Natal e é muito mais ligado à propaganda, pode oferecer algumas lições sobre a nossa fé. Temos que perguntar “se algu

Imaculada Conceição - Nova leitura

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Maria, por uma graça e um privilégio singular de Deus omnipotente… foi preservada imune de toda a mancha da culpa original. Assim, em 1854, Pio IX formulou o dogma da Imaculada Conceição. Ele se expressou assim porque, como todos do seu tempo, pensava que a narração do pecado original referisse à história azarada de dois indivíduos - o senhor Adão e a senhora Eva - e estava convencido que a transgressão deles tivesse causado consequências dramáticas nas suas descendências.  Hoje os estudos bíblicos esclareceram, sem sombras de dúvidas, que esta interpretação não encontra fundamentação no texto sagrado. O trecho de Génesis não é uma narração televisiva de um facto que aconteceu no princípio do mundo, mas uma página sapiencial escrita com imagem e linguagem míticos para responder aos inquietantes interrogativos existenciais que desde sempre os homens se puseram: porque o homem faz, muitas vezes, escolhas insensatas que o alienam de se mesmo, de Deus e dos irmãos? De quem é a culpa se

Conversão - II Domingo do Advento

Caríssimos amigos e amigas, paz e bem! sejam bem-vindos! Espero que tenham tido uma boa semana.  Eis que, neste segundo domingo do Advento entra em cena uma das suas figuras centrais: O percursor, João Baptista. A sua entrada em cena é marcada pelo tom ameaçador que lhe é característico: O juízo está eminente! Na sua pregação o cumprimento é descrito recorrendo à ameaça. De facto, as palavras que articulam a sua mensagem parecem, à primeira vista, muito semelhantes àquelas de Jesus no Evangelho: convertei-vos porque o reino dos céus está próximo!  Todavia a interpretação da mensagem privilegia o juízo eminente que tal proximidade comporta; ela impõe com urgência uma conversão.  Nas palavras do profeta Isaias o Messias prometido é descrito, contrariamente á descrição de João Baptista, como portador de uma paz inimaginável, absoluta e consolante. O rebento de Jesse reacende a esperança para a casa de David.  Ora caros amigos e amigas, a diferença de tom entre a pregação

Também nós!

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A imagem do monte continua a guria os primeiros passos do Advento. Desta vez, porém, Isaías  não o indica como lugar de encontro pacífico entre todos os povos, mas como o teatro de maravilhoso banquete no qual serão preparados as coisas melhores, aquelas que saciam e deixam no coração profundas consolações. Será sobretudo a fome da alma - a solidão profunda que neste mundo nos acompanha e nos admoesta - a receber o presente mais desejado, porque o monte de Deus será o tempo e o espaço em que será plenamente visível a todos o rosto do Pai.   Sobre este monte, o Senhor do Universo há-de preparar para todos os povos um banquete de manjares suculentos, um banquete de vinhos deliciosos: comida de boa gordura, vinhos puríssimos. [...] Ele destruirá a morte para sempre. O Senhor Deus enxugará as lágrimas de todas as faces (Is 25,6.8)  O Senhor Jesus parece ser movido pelos mesmos sentimentos e pelos mesmíssimos projectos de que fala o profeta, quando sentado sobre um mont